Pesquisa

EDIÇÃO DO LIVRO
“AS MODAS QUE O POVO CANTA”
DE LUÍS FRANGANITO


MODAS DO CANTE ALENTEJANO

CANCIONEIRO ALENTEJANO

 

O Cancioneiro que se segue foi recolhido a partir de elementos disponibilizados e tratados em conjunto pela MODA e pelos seguintes Mestres:


Ermelindo Galinha ("Ceifeiros de Cuba")
Luís Franganito ("Os Rurais" de Figueira de Cavaleiros)
José Coelho ("Os Amigos do Barreiro")
Joaquim Soares ("Cantares de Évora")


O Cancioneiro obedeceu a uma preocupação de reunir "modas" do repertório tradicional ainda presentes na memória dos mestres citados e de acordo com os seguintes critérios:


Modas que não sofreram alterações nas suas letras originais;
Modas que não resultam da sobreposição de novas letras sobre a música de outras modas;
Modas que conservam a música e o estilo original, sem adulteração;
Modas mais recentes, com música e letras originais que pela sua qualidade estão já integradas no património do "cante".


Não estão, portanto, incluídas neste Cancioneiro modas com letras adaptadas em substituição das originais, mas que utilizam as músicas e o estilo pertencentes a modas tradicionais.

Há, no entanto, algumas excepções a estes critérios que resultam de modas de outros cancioneiros estrangeiros e que o "cante" alentejano tem vindo a integrar no seu património como o "Mineiro" (Chile) ou "Ondas vêm do mar" (Galego).

Este Cancioneiro será aperfeiçoado progressivamente, através das críticas, sugestões e contributos que nos chegarem de outros Mestres e cantadores. Tais contributos poderão significar, nomeadamente, a exclusão de algumas modas que não estejam a respeitar os critérios acima enunciados, ou a inclusão de outras, ainda "vivas" e cantadas e que não foram identificadas pelos Mestres que a MODA reuniu.

Desta forma, estaremos assim a fornecer aos Grupos um instrumento importante para o enriquecimento do seu repertório e em simultâneo a reforçar e melhorar este património insubstituível da nossa região que é o "Cante" Alentejano.


Cuba, 13 de Maio de 2001

Edição do livro
“AS MODAS QUE O POVO CANTA”
de Luís Franganito

O livro “As Modas que o Povo Canta”, recentemente editado pelo autor Luis Franganito, mestre do Grupo Coral Os Rurais de Figueira dos Cavaleiros, com o apoio de diversas entidades entre as quais a “MODA – Associação do Cante Alentejano”, recolhe “modas” do cancioneiro alentejano que o autor foi cantando e registando ao longo da sua vida com o objectivo de facultar aos Grupos Corais, cantadores e estudiosos do cante, material suficiente para que o mesmo perdure e se enriqueça, enquanto elemento fundamental do património colectivo do Alentejo.

Ao divulgar a parte literária desse património contribui, também, para dar a conhecer, boa parte do cancioneiro mais utilizado pelos Grupos Corais, nas últimas duas décadas, e das características da poesia popular que suporta o cante. Perpassa por este cancioneiro a preocupação do autor pela autenticidade, até onde abarca a sua memória, recolhendo-o e conservando-o na sua originalidade, sem adaptações, evidenciando toda a expressividade e naturalidade das “modas que os alentejanos cantam”. E ao lê-lo percorremos, ao longo de mais de duzentas modas, toda a sua emoção e musicalidade: o amor, a saudade, a tristeza, a dor, a religiosidade, a observação da natureza, os trabalhos do campo, a pobreza, a alegria, as festas, a morte, etc.

Modas cantadas com grande personalidade e compenetração, como se fossem hinos e brados dirigidos aos céus, em forma de súplica, para ver cumpridos os desejos e aspirações de uma vida simples mas digna, amorosa e feliz, ou as agruras de uma vida encerrada nos duros trabalhos da lavoura.

Mas também modas alegres dos mastros, de roda, de baile, outras com graça e ironia que, numa sábia composição de vozes e sonoridades, tinham o condão de animar festas e romarias, casamentos ou aniversários, prolongando-se num entretenimento sem fim e contentando cantadores e participantes.

Ficam assim, como atrás se disse, gravados em livro os versos das “modas” e das “cantigas”. Cada moda é transcrita tal como foi “inventada” ou criada. Este cancioneiro corresponde, apenas, à parte literária, sem a respectiva transcrição musical, trabalho em grande parte por fazer, embora alguns musicólogos tenham efectuado, há mais de 30 anos, transcrições de recolhas próprias, posteriormente editadas (Padre José Marvão, Prof. Ranita Nazaré).

As “modas” estão acompanhadas, no livro, das respectivas “cantigas” que, na maior parte dos casos, são “quadras” de apoio, normalmente antecedendo a “moda” e repetindo-se ou substituindo-se por nova quadra ou cantiga, proporcionando, dessa forma, um prolongamento, com toda a grandeza e musicalidade, das vozes do “ponto” e do “alto”, bem assim como do coro dos “baixos”.

Embora a estrutura das modas e das cantigas não seja uniforme, utilizando diversas combinações, a maior parte dos Grupos Corais canta, actualmente, uma estrutura composta de “cantiga” ® moda ® “cantiga” ® moda, servindo a cantiga como introdução à moda que, neste caso, funciona como refrão da peça musical.

No livro, o autor transcreveu e escolheu as “cantigas” com extremo cuidado, para que o seu conteúdo se combinasse com o tema de cada moda. Por isso, o cante e o cancioneiro alentejanos não necessitam de modificações numa tentativa abusiva de melhorar ou adaptar as modas antigas aos novos tempos, tal é o grau de liberdade que a “cantiga” dá ao cante e ao solista (“ponto”), enquanto devaneio poético e musical. No cante alentejano, um canto polifónico a duas vozes (em alguns casos a três vozes), o “ponto” com a sua voz ornamentada, inicia espontaneamente o canto com uma “cantiga” da sua escolha, dando entrada ao “alto” que, por sua vez, começa a “moda”. O “alto” não conhece necessariamente o conteúdo da “cantiga” iniciada pelo “ponto” mas, quase intuitivamente e sem maestro, prossegue ou ajusta o “tom” certo da moda, conforme o caso, dando entrada ao coro com as suas vozes de baixo, graves e de grande força e sonoridade.

O livro “As Modas que o Povo Canta” é, assim, um manancial de poesia popular que o nosso povo cantou ao longo de décadas e continuará a cantar tornando-o, certamente, numa referência de consulta e de trabalho para quantos lidam hoje com o “cante” e o hão-de continuar a estudar e a cantar amanhã.

Cuba, 14 de Novembro de 2002


Cancioneiro Alentejano
(Modas do Cante Alentejano)

01 - A Água Do Céu Cai Pura
02 - A Barrinha Do Meu Lenço
03 – A Flor Que Abriu Em Maio
04 - A Moda Da Passarada (Quais, Quais)
05 - A Passarada (Levantou-Se O Povo Inteiro)
06 - A Primeira Vez Que Te Disse Adeus
07- A Ribeira Quando Enche
08 - A Roupa Dum Marinheiro
09 - A Vida De Um Marinheiro
10 – A Vinda Do Rei A Beja
11 – A Virgem Senhora De Aires
12 – Abalaste Para Coimbra
13 - Abre-Te Ó Campa Sagrada
14 – Acorda, Maria Acorda
15 - Adeus Cadeias De Beja
16 - Adeus Vila De Vila-Alva
17 - Afonso Henriques Um Dia
18 - Água Leva O Regador
19 - Ai Romana
20 - Ai, Ai, Ai, Trigueirinha
21 – Ai, Venham Ver O Alentejo
22 – Aldeia Das Amoreiras
23 – Alecrim
24 – Além Daquela Janela
25 - Alentejo És Nossa Terra
26 – Alentejo, Alentejo
27 - Andorinha Vem Das Ilhas
28 - Ao Passar Da Ribeirinha
29 - Ao Romper Da Bela Aurora – 1ª Versão
30 - Ao Romper Da Bela Aurora – 2ª Versão
31 - Ao Romper Da Bela Aurora – 3ª Versão (Eu OuviUm Passarinho)
32 - Ao Romper Da Bela Aurora – 4ª Versão (Sai APomba Do Pombal)
33 - Ao Romper Da Madrugada (Ouvem-Se Os GalosCantar)
34 - As Mondadeiras Contando (Quantas PapoilasSe Avistam)
35 - As Mulatinhas (Pias)
36 - As Nuvens Que Andam No Ar
37 – Aurora Tem Um Menino
38 - Aurora Vive Na Serra
39 – Avoa, Pombinha Avoa
40 - Bate As Palmas Marianita
41 - Borboleta Mensageira
42 - Cabelo Entrançado
43 - Camponês Alentejano
44 - Canta O Melro No Silvado
45 – Cantarinhas De Beringel
46 – Castelo De Beja
47 – Ceifeira, Ceifando No Arrozal
48 – Ceifeira Linda Ceifeira
49 – Cesaltina, Cesaltina
50 - Chamaste-Me Extravagante
51 – Cinzento Pombo Correio
52 - Com Que Letra Se Escreve Maria
53 – Comadre Maria Francisca
54 – Corticeiros
55 - Dá-Me Uma Gotinha De Água
56 – Debaixo Da Laranjeira
57 - Diz A Laranja Ao Limão
58 – Doce Jovenzinha (Só Uma Pena Me Existe)
59 - É Lindo Na Primavera
60 - É Tão Grande O Alentejo
61 - Em Castelo Branco Toda A Gente Chora
62 - Era A Voz Do Manageiro
63 – Esse Teu Vestido De Chita
64 – Esta Calçadinha
65 – Esta É Que É A Moda Que A Rita Cantava
66 – Está Multado, Está Multado
67 – Está Uma Carta No Correio
68 – Está Uma Noite Tão Serena
69 – Estava De Abalada (Lá Para O Meu Montinho)70 – Eu Esta Manhã Achei
71 - Eu Hei-De Ir Colher Marcela72 - Eu Hei-De Ir Para O Algarve, Sim, Sim
73 - Eu Hei-De-Me Ir Assentar (No Círculo Que LevaA Lua)
74 - Eu Já Estava De Abalada (Trovoada)75 - Eu Ouvi Mil Vezes Ouvi
76 - Eu Perdi O Meu Anel
77 - Eu Sou Português
78 - Eu Sou Trevo
79 - Eu Subi Um Dia Ao Alto Rochedo
80 - Ferreira Do Alentejo
81 - Foste Foste Que Bem Sei Que Foste
82 - Foste Gabar-Te Ao Porto
83 - Fui À Lenha
84 - Fui A Um Jardim Florido
85 - Fui Ao Campo Passear
86 - Fui Colher Uma Romã
87 - Fui Dispor A Salsa Verde
88 - Fui Um Dia A Uma Caçada
89 - Fui-Te Ver Estavas Lavando
90 – Grândola Vila Morena
91 - Há Lobos Sem Ser Na Serra
92 - Igreja Da Nossa Terra
93 – Inda Agora Aqui Cheguei
94 - Já Lá Vem Rompendo Aurora (Os Campos São Um Jardim)
95 - Já Lá Vem Rompendo Aurora (Os Trigais Da Minha Terra)
96 - Lá Nos Campos Cantavam Os Grilos
97 - Lá Vai O Comboio Lá Vai
98 - Lá Vai Serpa Lá Vai Moura
99 - Lá Vai Uma Embarcação
100– Levantei-Me Um Dia Cedo
101 – Levantou-Se O Lavrador
102 - Linda Jovem Era Pastora
103 - Lindo Ramo Verde Escuro
104 - Malmequer
105 - Manjerico Da Janela
106 - Maria Da Castanheira
107 - Maria Da Rocha
108 - Maria Morreu
109 - Mariana Campaniça
110 - Marianita És Baixinha
111 - Mas Que Praias Tão Lindas Tão Belas
112 - Menina Que Estás À Janela
113 - Mértola Vila Alentejana
114 - Meu Alentejo Querido
115 - Meu Bem
116 – Meu Lírio Roxo (Antigo)
117 – Meu Lírio Roxo Do Campo
118 – Mineiro
119 – Minha Linda Mocidade
120 – Minha Linda Pastorinha
121 – Minha Mãe Chamou Por Ana

122 – Moda Do Assobio
123 - Mondadeiras Lindo Rancho
124 – Moreanes É Meu Povo
125 – Moreninha Alentejana
126 – Moreninha Dá-Me Um Beijo
127 - Não Quero Que Vás À Monda
128 - Nasce O Sol No Alentejo
129 – Nem À Janela
130 - No Campo Há Uma Roseira
131 - No Tempo Da Primavera
132 - Nós Somos Trabalhadores
133 – Nossa Senhora Do Carmo
134 - Ó Águia Que Vais Tão Alta
135 - Ó Aldeia Das Laranjas
136 - Ó Aldeia Ó Aldeia137 - O Alentejo Dá Pão
138 – O Almocreve139 - Ó Amélia Ameliazinha
140 - Ó Ana Ó Ana
141 - Ó Baleisão Baleisão
142 - Ó Chica Lá Do Outeiro
143 - Ó Cuba Terra Bendita
144 - Ó Erva Cidreira
145 - Ó Filha Vai-Te Deitar
146 - Ó Lampião
147 - Ó Laranjeira Tu És
148 - Ó Loendreiro
149 - Ó Matilde Levanta A Saia
150 - Ó Menina Florentina
151 - Ó Miguel, Ó Miguel
152 - Ó Minha Amora Madura
153 - Ó Minha Pombinha Branca
154 - Ó Moças Façam Arquinho
155 - Ó Morena
156 - Ó Moura Linda
157 - O Pastor Alentejano
158 - Ó Pavão, Lindo Pavão
159 - Ó Pias, Terra Catita
160 - O Pombo Correio Voando
161 - O Que Levas Na Garrafinha
162 - Ó Que Linda Pomba Branca
163 - Ó Rita Arredonda A Saia
164 - O Triste Do Mocho
165 - Ó Vizinha Tem Lá Lume
166 – Oh Rama, Oh Que Linda Rama 209 - Sobe Acima Ó Laranjinha
167 – Oh Tim Tim 210 – Solidão, Ai Dão, Ai Dão
168 – Olha A Laranja Da China 211 - Sou Marinheiro
169 – Olha A Noiva Se Vai Linda 212 - Sou Português Emigrante
170 – Olha O Passarinho 213 – Tenho Barcos, Tenho Remos (Olé Menina Olé)
171 – Oliveira Da Serra 214 - Tenho Pena Lindo Amor
172 – Onde Vais Oh Luisinha 215 - Tens A Parreirinha À Porta
173 – Ondinhas Vêm Do Mar 216 - Tira O Capotinho
174 – Ora Toma Mariquinha 217 – Tirana (Ermelindo)
175 – Ora Vai-Te Embora 218 – Toda A Bela Noite
176 – Ora Vamos Todos 219 – Toma Lá Esta Laranja
177 - Os Olhos Da Marianita 220 – Trigueira De Raça
178 – Passarinho Prisioneiro 221 – Trigueirinha Alentejana
179 – Pelo Toque Da Viola 222 - Uma Laranja, Duas Laranjas
180 – Pirolito Ai-Lé Ai-Lé 223 - Vai Colher A Silva
181 – Pisando A Mimosa Areia 224 - Vai Remando, Vai Remando
182 – Por Causa De Uma Menina 225 - Vamos Cantar À Santinha
183 – Portugal És Meu Espaço 226 - Vamos Lá Saindo
184 – Quando A Neve Apareceu 227 - Vá-Se Embora Seu Maroto
185 – Quando Abalei P’rós Açores 228 - Venho Da Ribeira Nova
186 – Quando Eu Fui Ao Jardim 229 - Venho Do Norte D’alemanha
187 – Quando Eu Ouvi Esta Moda 230 - Vou-Me Embora P’ra Lisboa
188 – Quando Eu Um Dia (As Mulatinhas) 231 - Vou-Me Embora Vou Partir
189 - Quando O Galo Canta É Dia (Moda Do Galo)
190 - Que Inveja Tens Tu Das Rosas
191 - Quem Há-De Senhor Quem Há-De
192 - Quinta-Feira De Ascenção
193 - Rego Abaixo, Rego Acima
194 - Ribeira Do Enxoé
195 - Ribeira Do Sol Posto
196 - Ribeira Vai Cheia
197 - Rondei Estou Rondando Nota:
198 - Rosa Branca Desmaiada Este Cancioneiro Virá A Incluir, Também,
199 - Rouxinol Repenica O Cante “Modas” De Carácter Religioso, Ainda Hoje
200 - Santo Antoninho Da Serra Cantadas, Tais Como Os “Cantes De Natal”,
201 - Saudades São Martírios (Lírios) “Ao Menino”, “Aos Reis”, As Janeiras, Etc.
202 - Se Fores Ao Mar Pescar (Margarida)
203 - Se Fores Um Dia À Pesca (Pardelhas)
204 - Se Tu Não Fosses Mariana
205 - Senhora Santa Susana
206 - Senta-Te Aqui, Ó António
207 - Silva Que Estás Enleada
208 - Silva Verde Não Me Prendas
209 - Sobe Acima Ó Laranjinha
210 – Solidão, Ai Dão, Ai Dão
211 - Sou Marinheiro
212 - Sou Português Emigrante
213 – Tenho Barcos, Tenho Remos (Olé Menina Olé)
214 - Tenho Pena Lindo Amor
215 - Tens A Parreirinha À Porta
216 - Tira O Capotinho
217 – Tirana (Ermelindo)
218 – Toda A Bela Noite
219 – Toma Lá Esta Laranja
220 – Trigueira De Raça
221 – Trigueirinha Alentejana
222 - Uma Laranja, Duas Laranjas
223 - Vai Colher A Silva
224 - Vai Remando, Vai Remando
225 - Vamos Cantar À Santinha
226 - Vamos Lá Saindo
227 - Vá-Se Embora Seu Maroto
228 - Venho Da Ribeira Nova
229 - Venho Do Norte D’alemanha
230 - Vou-Me Embora P’ra Lisboa
231 - Vou-Me Embora Vou Partir

Nota:
Este Cancioneiro Virá A Incluir, Também,
“Modas” De Carácter Religioso, Ainda Hoje
Cantadas, Tais Como Os “Cantes De Natal”,
“Ao Menino”, “Aos Reis”, As Janeiras, Etc.


Copyright 2002 MODA - Associação do Cante Alentejano